10 de dez. de 2012

Triângulo amoroso?

Cartaz de Histeria
Há um mês atrás participei do projeto de tradução do release de um filme que foi lançado no Brasil em Novembo, Histeria. O filme conta a história da invenção do grande e poderoso amigo de toda mulher [inteligente!]: O vibrador.
O filme não tem nenhuma estrelinha carimbada de Hollywood. É um filme de produção inglesa, com uma pitada de comédia e romance. Diferente do que é de se esperar, o filme aborda o assunto de forma sutil e flexível, tornando o assunto fácil de ser conversado em qualquer roda de amigos [Da panelinha ao fundo da sala na escola, até as mesas de jogo de dama na pracinha]. Este assunto que sempre foi [e ainda é!] um grande tabu para muitas pessoas no século XX, era algo extremamente normal no início do século XIX, só que as pessoas não sabiam exatamente onde estavam se ''metendo'' [Quase que literalmente!].
Quando eu comecei a ler o release da produção do filme simplesmente me apaixonei. As cineastas trataram o assunto com tanta sutileza e delicadeza que era impossível não se sentir parte daquilo. Em uma época onde as mulheres não tinham direito a votar, não existiria mesmo a possibilidade de uma mulher pensar em ter um orgasmo [Na época, desconhecia-se a possibilidade de uma mulher ter algum prazer sexual. Nada muito diferente de hoje em dia, né?]. A história desta luta feminina é apresentada e guiada pela atriz Maggie Gyllenhaal [Não é nenhum rostinho repetido no mundo Hollywoodiano, mas há muito tempo é favorita por cinéfilos de filmes independentes, ela interpretou Elizabeth Darko no filme Donnie Darko].
Maggie Gyllenhaal como Charlotte Dalrymple
HISTERIA é uma alegre comédia romântica baseada na surpreendente verdade sobre como o médico Mortimer Granville apareceu com o primeiro vibrador eletromecânico do mundo. Após ficar desempregado, o Dr Mortimer (Hugh Dancy) arruma uma vaga como assistente do Dr. Robert Dalrymble (Jonathan Pryce), um dos pioneiros em tratamento feminino na especialidade de histeria. Da noite para o dia, o jovem e bonito doutor torna-se uma celebridade entre suas pacientes, que o procuram pela sua habilidade na "massagem manual". A partir disto a história será escrita com a invenção de um dos primeiros aparelhos elétricos patenteados da história: o vibrador.

Mas o que me trouxe a este post foi simplesmente a surpresa de descobrir como surgiu o primeiro vibrador. O vibrador era apenas um instrumento de trabalho para um médico. E "curava" as mulheres de uma “doença” até então conhecida como HISTERIA.
Aleluia! Finalmente um médico que sabia o que as mulheres queriam e precisavam. “Vem nimin!” com certeza foi dito por várias mulheres em meados de 1800 quando o Doutor Swifts descobriu a cura para uma doença que atingia apenas as mulheres. A histeria. Ele prometia curar as mulheres com suas massagens milagrosas. Mulheres com sintomas físicos e emocionais, como dores de cabeça, melancolia, agressividade, depressão, dores musculares. E olha que tudo, ele atendia as pacientes em suas casas. Chevaga. Tomava um chá com o maridão... E depois massageava a genitália da esposa do cara. Grande Doutor!
Ou seja, a mulher estava mal humorada, irritada, sexualmente atraída por alguém, com fogo nas saias, triste, deprimida, feliz demais, ou seja, TUDO! Ela simplesmente fazia sua visita ao médico. [O mais curioso é que naquela época era considerado impróprio que uma mulher entrasse sozinha em um consultório médico. Ou seja, estavam sempre acompanhadas das mães e em alguns casos dos maridos].
Então, a mulher deitava lindamente com suas pernas abertas, ou sentava na cadeirinha, e o médico, profissional, sortudo, fazia uma massagem nas partes íntimas, na perseguida, no triângulo das bermudas, para fazer a mulher ter seu ataque histérico [hoje mais conhecido como orgasmo] e pronto! Ela estava curada. Voltava para casa feliz e satisfeita [Hoje entendemos o motivo da alegria!]. E seu marido também. Afinal, a esposa estava feliz. Ele ficava feliz.
Mal sabia ele... Ai,ai...
Achei cômico demais o fato de que o vibrador, algo que algumas pessoas praticamente exorcizam quando vêem fosse vendido na farmácia, em lojas de utensílios médicos. Era algo que era oferecido comparado a uma batedeira. Inclusive algum deles também podiam ser usados como tal!
 
O triste é ver que toda essa ‘inocência’ sucumbiu com o avanço da medicina. Porque quando se descobriu que aquilo ali se chamava PRAZER FEMININO... Pronto! Bastou! Virou algo sujo, proibido, nojento, vergonhoso, quase ilícito. Como uma mulher se daria ao desfrute de gozar? De ter um orgasmo? É... Realmente era algo que toda aquela sociedade pautada no puritanismo não poderia permitir que acontecesse ou existisse. Se hoje ainda passamos por dificuldade em falar sobre o assunto, imagina na época!
Ao pesquisar sobre a história do vibrador encontrei duas ótimas matérias. Uma no O Caqui e outra no Toda Ela. Vale a pena dar uma conferida nos dois textos!
E século após século, o vibrador foi sobrevivendo e se reinventando. E então, quando a indústria pornô praticamente se apossou do utensílio, ele começou a ser visto em filmes adultos e as mulheres começaram a ganhar ‘voz’ ao dizerem o quanto conseguiam sentir prazer com o vibrador.

Eis que se estabeleceu uma guerra fria entre os homens e os vibradores. Os primeiros não achavam certo existir a possibilidade de uma mulher também conseguir sentir prazer sozinha. E, às vezes, bem mais do que quando acompanhadas. Já os vibradores, estavam ganhando mais espaço, já que sempre reapareciam com novos formatos, gostos e texturas cada vez melhores.

Entra o machismo, mais uma vez, nessa história [Em quase todas as histórias, né?]...

Até hoje existem homens que não aceitam que a parceira utilize o ‘brinquedinho’ dentro da relação. Nem sozinha, nem com ele. Meu bem, se você não dá conta do recado, não fique triste. Você pode ser um fofo e dar um GRANDE [e vibrante!] presente para sua parceira e correr atrás do prejuízo! Prazer não deve ser limitado. Se a mulher gosta, quer, usa, consegue atingir o orgasmo mais facilmente, ou só consegue atingir com o vibrador, nada mais justo do que você aceitar esse “triângulo amoroso”. Garanto que a relação a dois só tende a melhorar. Sexo deve significar prazer absoluto para todos os envolvidos. E como conseguir o prazer não deve ser um problema. Todos os envolvidos precisam estar felizes e completamente satisfeitos.


Bom, nada mais justo do que se sentir à vontade com um direito mais do que natural: o de ter prazer. Para alguém respeitar isso, a mulher precisa aceitar que aquela “cosquinha” não é um orgasmo, e que ela precisa ir mais além e se permitir tentar, usar e abusar.

Que tal começar assistindo ao filme? ;)

Um comentário:

  1. Enfim, sentir prazer não é pecado, concordo! Assim como masturbação não é pecado também, Fatooo!
    Só temos que tomar um cuidado; algo simples de se entender, quem pratica sabe que masturbação é viciante, delicioso e PONTO! O único problema da masturbação [quando em excesso] é que você dificilmente terá prazer com outra pessoa, somente com auxílio... Mas que é muito bom isso é =]]

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